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6 de julho de 2013

Paraty - FLIP 2013

A FLIP é a maior feira literária do Brasil e acontece todo ano em Paraty. Esta é a 11a. edição e a primeira que participo.

Nós ficamos hospedados no vilarejo de Trindade, a cerca de 25km de Paraty, já que as pousadas de lá estavam lotadas e nas que ainda tinham vagas, o preço era proibitivo. Trindade é uma vila pequena com pousadas simplérrimas e muitos campings, uma espécie de reduto "paz e amor" para os que apreciam a natureza e as coisas simples.

Praia de Trindade

Participam da feira literária vários escritores internacionais e nacionais e todo ano um autor nacional é eleito como o homenageado. Esta ano foi a vez de Gracialiano Ramos, cuja obra eu nada conhecia e adorei ter contato.

A parede detrás da foto abaixo contém um trecho do manuscrito da obra "Vidas Secas" de Gracialiano, sobre sua mais famosa personagem, a cachorra "Baleia". Por causa dela e deste trecho acabei comprando o livro.

Tenda dos Autores

Os escritores se encontram em "Mesas Literárias", que são debates mediados por um jornalista ou crítico de literatura. Há duas formas de assistir a estas mesas, ao vivo, na Tenda dos Autores ou por um telão muito bem montado na Tenda do Telão. Os ingressos da Tenda dos Autores custam três vezes mais que os ingressos do telão.

O autor irlandês John Banville autografando o meu exemplar
Conheci o escritor John Banville durante a feira, na única mesa da Tenda dos Autores, da qual participei. Ele participou em companhia da escritora Lydia Davis. John Banville é uma figura peculiar que escreve, com seu próprio nome, livros em geral considerados bons pelos críticos e, sob pseudônimo, escreve livros policiais, como ele mesmo disse "livros que vendem, pois afinal precisa alimentar os filhos".

Gostei de todas as mesas que assisti e particularmente da que discutiu a política na obra de Graciliano Ramos. O Brasil vive um momento histórico neste momento, com inúmeros protestos reivindicando serviços públicos melhores, e ouvir três professores inteligentes falando sobre a importância da linguagem e como esta é uma ferramenta poderosa para mudar o mundo, foi enriquecedor para entender o contexto atual. 

Eu imaginava a FLIP diferente, com mais tendas, mais eventos simultâneos e a presença de mais livrarias ou mesmo de editoras vendendo livros durante o evento. A FLIP em si tem apenas as mesas literárias, uma só livraria e alguns patrocinadores com pequenos eventos virtuais. Há também a Flipinha, que tem programação e tendas para crianças. Há vários outros eventos que ocorrem simultaneamente à FLIP e não fazem parte dela, em casas culturais de Paraty e outros locais no centro da cidade que, em uma próxima oportunidade, darei mais atenção.

FLIP vista do Canal de Paraty

Senti falta de um planejamento maior de minha parte, estudando as agendas dos eventos, os autores e suas obras antes de chegar à Flip. Isso facilitaria a escolha do que comprar e de que autógrafos pedir. Os preços dos livros são de catálogo, não há descontos, portanto, vale a pena comprar os livros que interessam antes, por outros meios mais baratos.

Linda vista do Canal de Paraty

Aqui registro uma menção honrosa para a excelente comida que experimentamos em um restaurante/creperia francês da cidade. Os pratos demoram muito, mas muito mesmo, para ficarem prontos, mas cada segundo de espera vale a pena e a simpatia da sub-chef compensa tudo. Até porque a espera é regada a azeites aromatizados e acompanhados de um delicioso pão de azeitonas pretas feito na hora. O risoto de frutos do mar e o crepe de camarão são imperdíveis.